sábado, 11 de abril de 2015

A experiência de Deus na vida dos jovens oratorianos de Dom Bosco


Nas ruas de Turim se encontravam jovens sentados nas calçadas esperando uma chance de trabalho; outros empregados por patrões inescrupulosos numa absurda rotina de trabalho que às vezes chegava a dezesseis horas diárias e ainda outra grande parte atrás das grades, na maioria das vezes por roubar algo essencial para as suas vidas e a de qualquer ser humano. Em meio àquela situação, Dom Bosco fez a sua experiência de Deus, observando aquela realidade e se compadecendo das vítimas de um sistema que beneficiava somente a alguns poucos.
 
Aquele padre recém-ordenado, dotado de um intelecto privilegiado, com três convites de trabalho em seu bolso, sentiu compaixão daqueles meninos de rua abandonados. E no íntimo de seu ser, sabia que poderia fazer algo por eles, e mais do que isso, mudar as suas vidas completamente. Seu desafio seria mais do que dar pão, trabalho e resgatar a dignidade e cidadania daqueles jovens; seria possibilitá-los a uma experiência de Deus e assim, salvar as suas almas. No meio daquela confusão, o Espírito Santo suscitou em Dom Bosco a solução para ajudar aqueles meninos pobres e abandonados.
 

O primeiro jovem e o trabalho com os detentos
 

Certa vez um sacristão encontrou um menino de rua passando em sua sacristia e logo lhe abordou, pedindo-lhe para ajudar o padre na Celebração Eucarística como coroinha, no entanto, aquele pobre menino não sabia nem como se posicionar no altar. Então, sem pensar duas vezes, o furioso sacristão golpeou-o com seu espanador e xingou-o sem nenhum remorso. Percebendo algo estranho, o sacerdote que presidiria aquela missa repreendeu o sacristão e disse que aquele menino era seu amigo. Trata-se de Bartolomeu Garelli, o primeiro oratoriano de Dom Bosco. Propondo uma simples, mas profunda catequese, diversões e comida, conseguiu atrair Bartolomeu Garelli e muitos outros de seus amigos que, a cada domingo que se decorria, o número de jovens somente aumentava.
 
O pensamento daqueles que não apreciavam tais atitudes atribuiu-lhe os mais terríveis adjetivos e julgamentos pessimistas de suas condições psicológicas, considerando tais feitos obras insanas de um padre insano e demente. Mesmo com tantas rejeições de seus companheiros de ministério e de poderosos da sociedade, Dom Bosco, insatisfeito com as condições de outros jovens que não podiam vir ao seu oratório por estarem privados de sua liberdade, decidiu pedir autorização aos responsáveis dos cárceres para iniciar um trabalho com os jovens presidiários. A sua assistência presença, a sua forma de dialogar com os jovens presidiários e, é claro, o seu carisma juvenil, fizeram dele um porto seguro para aqueles que não tinham em quem confiar.
 
Certo de que os tinha conquistado, iniciou o seu mais caro projeto: proporcionar momentos de encontro com Deus. Nesse intuito, retirou-os por algumas horas de dentro daquelas celas que mais se assemelhavam a jaulas e levou-os para encontrar o Senhor em meio à natureza. Vislumbrando aquelas grandes árvores, sentindo aquele vento puro e o sol a irradiar em suas cabeças, puderam, mesmo que inconscientemente, sentir a presença de nosso Deus que se manifesta em sua criação. Faz-nos lembrar que foi em meio à natureza, no Jardim do Éden, que o Senhor, em todas as tardes, ia se encontrar com a sua mais predileta criação, os seres humanos.
 
Este espaço implantado por Dom Bosco favoreceu uma legião de jovens que tiveram suas vidas completamente mudadas depois que esbarraram com aquele padre e seus colaboradores. É certo que alguns dentre eles foram tomados, por exemplo,  para os outros, tais como Domingos Sávio, Miguel Magone, Francisco Besucco, entre tantos que, através dessa experiência com Deus em suas vidas, conseguiram converter-se e se tornaram verdadeiros santos, simples e humildes, mas profundos em sua vivência radical da Vontade de Deus.
 

O oratório como espaço de oração
 

Não foi por acaso que Dom Bosco batizou o seu primeiro trabalho como Oratório. É certo que em muitas paróquias existia oratório sob o modelo de São Felipe Néri, que foi o criador desse tipo de trabalho, mas a partir de Dom Bosco, essa obra tomou um novo caráter que o tornou mais específico e diferenciado de qualquer outro. Seria um propício local onde se encontraria a santidade.
 
Na perspectiva de Dom Bosco, o seu oratório deveria ser mais do que um lugar onde ofereceria diversão para os meninos, mas um lugar onde, por meio da alegria, eles conhecessem a Deus.
 
Maneiras eficazes que ele encontrou para atrair os meninos a Deus foram a disposição de imagens religiosas nos mais inusitados locais para recordá-los que Deus está presente em todo lugar; as simples jaculatórias, que são pequenas frases que ajudam a rezar, aconselhando-os a pronunciá-las diversas vezes durante o dia; as frases bíblicas que estavam espalhadas em diferentes ambientes, entre outras. Enfim, todo o seu trabalho tinha a real intenção de levar os meninos à oração, favorecendo-os esse fácil acesso à experiência com Deus.

Os frutos desse trabalho
 

Com uma Ave Maria, Dom Bosco deu início a uma obra que tomaria proporções mundiais e atravessaria os séculos.
 
A partir da necessidade de uma época e da coragem de um padre, desse Oratório foi fundada a Congregação Salesiana, sendo formada pelos próprios meninos de rua, engraxates e trabalhadores das fábricas e que gradativamente foram somados com novos cooperadores de outras classes sociais e de diversos países.
 
Percebendo a importância dos Oratórios em nossa história, carisma e espiritualidade, é preciso valorizar e dar maior visibilidade a eles e verdadeiramente proporcionar aos jovens esse encontro com Deus. Devemos fugir do simples assistencialismo social e torná-los lugar propício para a ação de Deus e a fecundidade do Espírito Santo. Devemos permitir que desses lugares a nossa fé cresça e se torne mais sincera e fiel. Devemos, como salesianos e cristãos, nos comprometer profundamente com a salvação daqueles que escolhemos para servir, e assim, nos santificar: os jovens.

N. Jefferson Castro, BRE

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